REINADO FINAL!

Day 4,230, 19:03 Published in Brazil Brazil by Mordekaiiser

O REINADO FINAL



De punho erguido. Um surto de poder necromântico. À frente dele, o pináculo final da última torre ganha forma, a fumaça espessa se solidificando em ferro negro. Mordekaiser contempla seu domínio com um orgulho sombrio.

Mitna Rachnun, seu mundo do pós-vida, está completo.

Há muito tempo, ele já esteve neste mesmo lugar, uma alma mortal diante do vazio completo do esquecimento. Agora, um reino se apresenta diante dele, forjado por meio de seus esforços.

Ele desce o caminho em direção à sua fortaleza, deleitando-se com a satisfação de seu trabalho. Cada pedra sob seus pés é obra dele. As ameias, os baluartes, tudo nasceu de magia impiedosa e determinação férrea.

Onde antes não havia nada, Mordekaiser forjou sua própria realidade: um reino onde todas as almas em breve habitarão pela eternidade, para jamais desaparecerem.




Sahn-Uzal piscou e olhou ao redor. Confuso e com a mente vazia.

Estou morto.

O pensamento voou como um sussurro ao vento. Ao constatar sua realidade, uma tristeza efêmera inundou o coração de Sahn-Uzal por um instante. Então, uma gargalhada brotou de repente, um estrondo vindo do âmago que estremeceu todo o seu corpo, transbordou de seu peito e jorrou em uma cascata retumbante.

Ótimo.

Sahn-Uzal analisou a distância até o grande portal das almas que o levaria ao famoso Salão dos Ossos. Ele procurou pelos servos que o carregariam gloriosamente para o reino eterno, saboreando sua crescente empolgação em encontrar os grandes conquistadores do passado.

No entanto, até onde sua vista alcançava, névoa era tudo o que havia.

Sahn-Uzal deu um passo à frente e depois olhou para baixo, surpreso. Areia fina e cascalho áspero se deslocavam sob seus pés. Ao longe, vozes dissonantes murmuravam, baixas demais para que palavras fossem distinguidas.

Nada fazia o menor sentido.

Ele atravessou o deserto, determinado a descobrir a verdade.

O tempo passou, incalculável.

A confusão se converteu em descrença. A descrença se inflamou em raiva. A raiva se incendiou em fúria.

Nada.

Não havia nada.

As areias secas se estendiam pelo infinito. Persistentes, as vozes sussurravam em um tom enlouquecedor no fundo de sua mente. A névoa nunca diminuía, apenas pairava, eterna sobre tudo.

Os sacerdotes haviam mentido? Ou talvez não passassem de falsos profetas, tolos falastrões proclamando suas superstições vazias? Ou será que seus antepassados haviam cometido um erro grotesco de julgamento, recusando-se a recebê-lo nos grandes salões?

No começo, essas dúvidas o consumiam. Mas isso havia perdido a importância. Agora Sahn-Uzal compreendia. Só o que importava era a verdade nua e crua: não havia nada aqui. Um enorme vazio, desprovido de qualquer recompensa. Desprovido de qualquer promessa.

Enquanto essa verdade criava raízes dentro dele, a sombra do desespero o espreitava, faminta para consumi-lo.

Mas ele era Sahn-Uzal. Conquistador das terras selvagens. Mestre das tribos. Ele construiu um império onde antes não havia nada. Em vida, ele superou todos os obstáculos e venceu o desespero com pura ambição e força de vontade. Em morte não seria diferente.

Se a morte não oferece os reinos que me foram prometidos... eu mesmo os forjarei.




Mordekaiser caminha sob a ponte levadiça interna, inspirada na ponte do Bastião Imortal, seu reduto de poder no mundo dos mortais. Ele caminha pela entrada e adentra o grande salão.

Seu trono jaz adiante.

Por toda parte, em constante cacofonia, o lamento interminável de almas sobe e desce, um coro profano de angústia e desespero. No entanto, Mordekaiser não ouve nada... ou melhor, até ouve, mas é como o barulho de metal sendo afiado em um campo de guerra ou botas pisando no cascalho durante uma marcha forçada. São apenas sons comuns, irrelevantes em suas banalidades.

Afinal, as almas que são dignas permanecem atentas no salão, e nenhuma ousa falar.

Tudo como deve ser.

Mordekaiser dá um passo em direção ao seu trono.




O tomo arcano flutuava acima do pedestal, sereno e intocado. Um estranho contraste com todo o sangue derramado em torno dele.

O último mago sobrevivente levantou uma mão fraca, com sangue escorrendo da testa. Pequenas labaredas dançaram entre seus dedos conjurando um último feitiço, uma derradeira e desesperada tentativa.

Mordekaiser falou, perplexo: “Magias assim consumirão sua alma, mortal. E seu precioso livro também.”

O mago cuspiu suas palavras. “Eu não sou importante. Tudo o que importa é que você não o obtenha.”

Uma gota de fogo, calorosamente queimando em tom azul, explodiu das mãos do mago, engolindo o Revenã de Ferro e se erguendo sobre ele. A energia escaldante correu pelos braços do mago, com os efeitos do feitiço partindo sua própria carne. Ainda assim, o mago persistiu, cerrando os dentes em desafio.

Mordekaiser deu um passo à frente, um espírito envolto em uma armadura de ferro negro, protegendo o tomo das chamas. Em suas mãos, Véu da Noite, sua infame maça, pulsava em um verde efêmero. O calor do fogo rachou pedras e derreteu a carne dos outros magos já mortos. Mas Mordekaiser permaneceu inabalado contra o ataque.

Finalmente exausto e com o corpo destroçado, o mago caiu de joelhos. Sua respiração irregular sussurrou uma oração pedindo que seu poder tivesse sido o bastante.

Se Mordekaiser ainda tivesse um corpo feito de carne, ele teria sorrido. “Falta convicção.”

O mago sufocou um soluço quando Mordekaiser se aproximou. Ele olhou para o espectro e falou com a garganta seca e rachada.

“Você não vai encontrar o que procura! Um monstro bruto como você nunca poderia entender os segredos do Tomo dos Espíritos e...”

Um golpe da maça. Um impacto satisfatório.



Outro jato de sangue se juntou às manchas já coaguladas no chão. Mais um mago destruído, o décimo terceiro, caiu sem vida.

Mordekaiser riu.

“Você confunde brutalidade com ignorância.”

Ele olhou para os cadáveres ao redor e sussurrou um verso na língua profana dos mortos.


Esforço lamentável
Livres da carne
Vocês são todos meus
Ele tocou com Véu da Noite no chão. A maça brilhava mais forte, parecia quase respirar, quando treze pontos de luz se ergueram dos corpos quebrados e afundaram na terra.
Mordekaiser voltou sua atenção para o livro, ainda flutuando e imbuído com magia espiritual. Outra peça de conhecimento para seus planos. Outro tesouro em sua conquista.

Ele avançou para reivindicar seu prêmio.



Seu trono está à sua frente. O encosto de pilares de ferro bruto se estende em altos pinos de pontas afiadas. Escrituras em Ochnun, angulares e pontiagudas, espalham-se pelo estrado do trono. O sussurro sempre presente vira quase um rugido, incessante e desesperado. Mordekaiser descansa uma mão no apoio, orgulhoso de sua obra. Esta peça contém mais almas do que qualquer outra criação em sua fortaleza. Os lamentos que emanam são música para ele.

Usando a mente, Mordekaiser chama Véu da Noite para suas mãos. Com um único movimento, ele oblitera o trono por completo.

Uma rajada de centenas de almas ecoou no grande salão quando foram libertadas do trono, dissipando-se no oblívio. Mordekaiser observou o desaparecimento com uma satisfação funesta.

Tronos são para mortais presos em carne e exaustão humana. Agora... ele é muito mais do que isso.

Ele pisa em cima do ferro retorcido e olha para o outro lado do seu grande salão. Seus generais, almas que foram dignas de morrer por suas mãos quando andou pela última vez no mundo dos vivos, estão atentos diante dele. Eles permanecem imóveis. Ninguém age sem um comando direto.

Agora, seu reino está pronto de fato.

Mordekaiser sai do grande salão com passos largos rumo ao coração de sua fortaleza, a peça central de seu poder e suas maquinações. Rumo à relíquia que amarra Mitna Rachnun ao reino dos mortais. Rumo ao lugar que dá ao coração secreto do Bastião Imortal seu verdadeiro propósito.

Em sua primeira vida, ele se considerou um grande conquistador, digno dos salões eternos de sua fé. Quão pequenas, quão insignificantes, quão mortais suas ambições eram naquela época! Mas quando outros aceitaram a morte como o fim, Mordekaiser forjou o começo de sua verdadeira conquista. Agora, ele pode escutar e entender cada sussurro de seu reino com absoluta clareza. Agora, a magia da própria morte corre dentro dele. Agora, ele detém os segredos arcanos reunidos ao longo de toda a sua segunda vida, arrancados dos confins mais isolados e desconhecidos do mundo. Poucos seres podem reivindicar o domínio dos espíritos, da morte e das magias mortais que ele possui. Mordekaiser usará isso para moldar todos os reinos à sua determinação férrea.

Chegou a hora de retornar ao mundo dos vivos. Todas as almas de Runeterra estão aguardando.

Mordekaiser ergue Véu da Noite com uma mão.

E assim começa o seu reinado final.